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“O grande desafio de Salvador é transformar a criatividade de seu povo em inovação”, diz economista

Ana Carla Fonseca comenta sobre como o conceito de economia criativa pode contribuir para o desenvolvimento de uma cidade inteligente

Matéria publicada na edição 32 da Revista [B+]

21 outubro, 2015
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Economista, mestre em administração e doutora em urbanismo pela USP, Ana Carla Fonseca é uma das mais respeitadas estudiosas sobre cidades criativas. Em entrevista à [B+], ela fala sobre como desenvolver a capital baiana usando o seu talento criativo.

ana2De que forma o conceito de cidade criativa pode contribuir para o desenvolvimento de uma cidade inteligente?

Cidade criativa e cidade inteligente não são sinônimos. enquanto a cidade inteligente se baseia no uso da tecnologia para inovar, com ênfase na gestão pública, a cidade criativa tem três características principais: inovações (não apenas tecnológicas, mas também sociais), conexões (entre áreas da cidade, entre atores públicos, privados e da sociedade civil; entre a cidade e suas regiões; e da cidade com sua história) e cultura. recife, por exemplo, tem se destacado por iniciativas voltadas ao uso da tecnologia e do empreendedorismo nessa seara, como o Porto digital e o Porto Mídia; mas ainda tem muitos passos a trilhar para se aproximar da nota máxima de 63 (hoje atinge 25,73, conforme a pesquisa).

Como transformar o potencial criativo de Salvador em uma ferramenta de desenvolvimento?

A economia criativa se baseia no talento criativo para gerar produtos, serviços com valor agregado. O grande desafio de Salvador é transformar a criatividade de seu povo em inovação, o que necessariamente requer educação de qualidade (capaz de gerar raciocínio crítico, visão de contexto, análise, conexões improváveis), alfabetização digital em escala massiva e acessível, articulação entre políticas públicas e o setor privado e, claro, vontade política.

Como é possível utilizar a economia criativa para melhorar o posicionamento da capital baiana em outros setores, como saúde e educação?

Por duas vertentes. Investindo em indústrias criativas (ou seja, setores da economia que têm por base a criatividade aplicada) que possam contribuir para a melhoria desses setores. basta imaginar o impacto que a indústria criativa dos games e aplicativos, por exemplo, traz para a saúde e a educação. Em segundo lugar, várias pesquisas realizadas no exterior atestam a mobilidade dos talentos criativos entre os setores criativos e os setores tradicionais de uma economia, o que claramente contribui para dinamizá-los.

Além de recife, quais outras cidades brasileiras que estão trabalhando sua economia criativa podem servir de exemplo para Salvador?

Muitas têm aspectos inspiradores para que Salvador desenvolva seus próprios processos, baseados em seus potenciais (e não incorra no erro de copiar receitas alheias). São exemplos o já mencionado trabalho de recife nas tecnologias digitais, trilha também seguida por Florianópolis; os setores de design e moda em São Paulo (ainda que não com o respaldo de políticas públicas municipais consistentes); e o investimento do rio de Janeiro em ferramentas e aplicativos vários de melhoria da qualidade de vida urbana, da mobilidade à prevenção da violência.

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